domingo, 17 de setembro de 2017

O vexame de Janaína e o baixo nível jurídico do golpe



Janaína Paschoal foi peça central do jogo de cartas marcadas que destituiu Dilma Rousseff e içou ao poder Temer e o quadrilhão do PMDB. A espalhafatosa advogada, que não esconde seu lado evangelo-fascista em seus discursos, defende com arrogância seus argumentos golpistas, com a imponência dos grandes juristas da história. No entanto, aparentemente, Janaína não defendeu outra tese de uma forma minimamente aceitável.  Ela amargou a última colocação no concurso que prestou para a USP. Não foi o desempenho da autora que caiu: é que agora a peça foi avaliada por especialistas, não por Eduardo Cunha.

O certame em questão foi para o de professor titular da USP, que ofereceu duas vagas, uma delas a de Miguel Reale, co-autor da peça do impeachment,  que está se aposentando da instituição.  Janaína escolheu um tema coerente aos seus discursos, que frequentemente associa questões jurídicas com providências divinas: “Direito Penal e Religião – As Várias Interfaces de Dois Temas que Aparentam ser Estanques”. Impossível não associar ao (nem tão) célebre discurso da advogada que atribuiu ao Sagrado sua atuação no processo do golpe. "Eu acho que se tiver alguém fazendo algum tipo de composição neste processo é Deus", declarou, de forma infeliz, na ocasião.
 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Curitiba: Lula nos braços do povo e MBL frustrado em evento vazio



40 fascistinhas e um boneco de borracha: esse foi o quórum do evento de apoio a Sérgio Moro, promovido e divulgado pelo MBL, no dia do segundo depoimento de Lula ao magistrado paranaense. Ao mesmo tempo, Lula era recepcionado por uma verdadeira onda vermelha, em plena república de Curitiba. Enquanto os manifestantes do morobloco se aglomeravam sob o sol forte em uma malograda tentativa de parecerem mais numerosos na foto, mais de 7 mil apoiadores do ex-Presidente faziam a praça Generoso Marques parecer pequena diante de tanta paixão.

O grupo apoiado pelo MBL cumpriu seu roteiro bobo, cego e fascista. Levou camisas da CBF, bandeiras do Brasil, uma faixa pedindo a prisão de Lula e um boneco inflável de Sérgio Moro vestido em trajes de super-herói. O pequeno grupo gritou palavras de ordem contra o PT e em apoio à Operação Lava Jato. Em entrevista, os participantes se disseram apartidários, mas que só se organizavam para pedir a prisão do líder petista. O argumento é sempre o mesmo: o discurso robotizado e repetido à exaustão pela mídia: “ele é o chefe da quadrilha”.

domingo, 10 de setembro de 2017

O antipetismo como propaganda política



Há um ano, Dallagnol chocou o país com seu indefectível PowerPoint de acusação a Lula, acompanhado de convicções e sem nenhuma prova. A entrevista coletiva, que beirou o ridículo, ilustrou características marcantes e basilares da Lava Jato: a parcialidade e o exibicionismo. O caráter político da Operação, que continuou perseguindo petistas e absolvendo tucanos, foi negado com veemência enquanto pode. O autor da fatídica apresentação confirmou recentemente que será um dos candidatos da Lava jato em 2018. O antipetismo era mais que perseguição. Era propaganda política.

Dallagnol, antes de assumir seu interesse em se tornar parte da classe política que tanto critica, já vinha se esforçando ao máximo para tirar vantagens de sua atuação como membro da Lava Jato. O Procurador fez ao menos 12 palestras remuneradas, apenas no ano de 2016, recebendo, por isso, 219 mil reais. Parte dos lucros foi doada a um hospital em Curitiba. O coordenador da Força-Tarefa lançou também um livro intitulado “A Luta Contra a Corrupção”. Como se pode notar, perseguir Lula e o PT, sempre serviu de vitrine para Procurador.