sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O total desprezo do governo Temer pelos mais pobres

Nas últimas semanas, duas notícias antagônicas – e aparentemente desconexas – deixaram claro o modus operandi do governo Temer. Enquanto o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, anunciava a segunda queda consecutiva no valor do salário mínimo, a Credit Suisse divulgava estudo apontando um grande aumento no número de milionários. No Brasil pós-golpe o abismo econômico e social só aumenta: ricos se tornam milionários e pobres voltam a ser miseráveis. O atual governo é aristocrático e antidemocrático e convence a classe trabalhadora que só ela deve tomar o remédio amargo em prol do País. Infelizmente, há quem acredite.

Antes de mais nada, é importante destacar que não haveria nada de errado no crescimento do número de abastados, se não fosse acompanhado do aumento da miséria no outro lado do muro. Não existe nada mais vergonhoso para um país que uma desigualdade social tão gritante. E um governo que não faça nada para reduzi-la, e ao contrário, a fomenta, é no mínimo irresponsável e criminoso. Como um Robin Hood às avessas, a distopia temerista tira dos pobres para dar para os ricos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O CAPITAL IMPRODUTIVO: a maior máquina de produção de desigualdade social no Brasil


Por Aldo João de Sousa - Professor aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília


Comentário inicial

Parcela expressiva dos dados apresentados neste artigo é baseada na entrevista que o Professor Ladislau Dowbor, economista da PUC de São Paulo, concedeu aos jornalistas Paulo Moreira Leite e Leonardo Attuch, do Portal Brasil247, neste segundo semestre de 2017. A palestra pode ser acessada no canal da TV247 no YouTube, no seguinte link:

https://www.youtube.com/watch?v=CTeoHOBVsII&t=2779s

Todos os erros ou má interpretação sobre o conteúdo da palestra do professor Ladislau Dowbor aos dois jornalistas devem ser debitados na minha conta.
Os dados sobre a pauta nacional, citados no fim deste artigo, nada têm a ver com a entrevista.

A vida do trabalhador sem direitos trabalhistas. Ou: como era boa minha CLT

Foi bom enquanto durou, mas acabou. O último sábado (11) será lembrado por ter marcado o fim de uma era no Brasil: a vigência da Consolidação das Leis do Trabalho. Como todo tempo bom, esses 74 anos deixarão saudade - ao menos para a classe trabalhadora, que via nela uma fonte garantidora de direitos. Quem foi beneficiado pela mudança começa agora a colher os frutos de um movimento político iniciado tão logo o resultado das eleições presidenciais de 2014 foi anunciado. Àquela altura já estava mais do que claro que a “reforma trabalhista”, anunciada como solução para a crise financeira, jamais seria sancionada por Dilma . Era necessário dar um golpe no povo brasileiro em favor de uma elite empresarial.

Se o nascimento da CLT, pelas mãos de Getúlio Vargas, veio como resposta à criação da Justiça do Trabalho em 1939, foi o atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o ministro Ives Gandra Filho, que melhor sintetizou os motivos de sua morte, em entrevista à Folha de São Paulo: “Vou ter que admitir que, para garantia de emprego, tenho que reduzir um pouquinho, flexibilizar um pouquinho os direitos sociais". Como de costume, o sacrifício para sanar a crise virá da base da pirâmide. Como sabemos, rico não paga conta por aqui.