domingo, 5 de novembro de 2017

Dividir para conquistar: A bola fora do PC do B


Divide et impera (dividir para conquistar). Essa frase foi utilizada por Júlio César sobre sua principal estratégia para vencer seus inimigos gauleses. Ao longo da história, essa mesma frase foi dita por outros exímios estrategistas, como Napoleão Bonaparte, que teria dito as mesmas palavras durante as Guerras Napoleônicas (divide ut regnes). Há séculos se sabe que um adversário dividido é um adversário fraco e fácil de ser batido. Pois ignorando essa regra de ouro da estratégia, o PC do B acaba de anunciar Manuela D'Avila como pré-candidata à presidência em 2018. Seguindo o exemplo do PSOL, os comunistas chegam para dividir os votos da esquerda. Agora, serão ao menos 4 candidatos progressistas. A extrema-direita agradece.

O PSOL já tem se mostrado com essa vocação há anos. O partido faz uma oposição ferrenha ao Partido dos Trabalhadores e vem lançando candidaturas próprias para “marcar posição” há muito tempo. Fica claro que estão querendo a todo custo separar sua imagem da do PT, apoiando, inclusive a Operação Lava Jato. Já era de se esperar que o partido anunciasse candidatura própria. Com a desistência de Chico Alencar, o nome deve ficar novamente com Luciana Genro. Postura similar é vista no PSTU, porém com um alcance ainda menor que dos colegas Psolistas.


A busca por protagonismo é compreensível (apesar de bastante questionável). O PT perdeu muito capital político com o impeachment de Dilma Rousseff, como foi constatado nas eleições locais de 2016. Dessa forma, quem antes apoiava o partido, agora tenta tomar seu lugar como protagonista da esquerda no maior país da América Latina. Talvez seja mesmo por isso que Ciro Gomes, que até ano passado falava em “sequestrar” Lula para evitar sua prisão, esse ano tenha dito que o líder petista “insulta a inteligência do povo”. A surpresa fica por conta do PC do B.

O Partido Comunista desde a redemocratização nunca teve uma vocação divisionista. Sempre apoiou o partido da esquerda que tinha maior chance de vencer as eleições e assim impor uma agenda com foco nas classes menos favorecidas. A própria Manuela D’Avila é um excelente nome, mas não para esse cargo e jamais para esse momento de crescimento desenfreado do fascismo. A segregação agora é perigosíssima. A esquerda francesa se dividiu nas últimas eleições e ficou fora do segundo turno, mesmo tendo muitos votos pulverizados nos 3 partidos progressistas. Vimos então a direita (Macron) e a extrema-direita (Le Pen) disputarem o comando da nação.

O momento político que vivemos não pode passar por vaidades ou interesses menores. Deveria haver uma unidade em torno do candidato que mais tem chance de vencer as eleições: Lula. Já existem candidatos suficientes para “marcar posição”. Quanto mais dividida a esquerda, mais fácil ficará o caminho para os candidatos da extrema-direita, que crescem vertiginosamente nas pesquisas. Com candidatos de PT, PDT, PSOL e PC do B (além da REDE), o lado progressista fica enfraquecido. Por uma questão de patriotismo deveria haver uma unidade mínima. Como diz outra frase atribuída a Júlio César, Alea jacta est.

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